Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Errar é dramático quando erramos mais do que uma vez. Quando é reincidente e não sabemos porquê. Quando é reincidente e volta a acontecer. Quando não podemos controlá-lo e desenhamos as linhas por cima. Retiramos o papel vegetal e torna-se em arte.

O erro. Negligente. Autónomo. Autocontrola-se. Sabe onde vai, como vai parar. Entra aqui e destrói. É autodestrutivo e impele-me a autodestrui-me. O erro é imprevisível ao humano. Ultrapassa-me na inteligência. O erro cria-se a si próprio, de circunstâncias que me ultrapassam, desenvolve-se independente da minha consciência, aparece e corrói tudo o que criei. Muito superior a mim. O erro é perfeito. 

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publicado por tricot-do-oeste às 20:30
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Domingo, 4 de Outubro de 2009

Olá, o meu nome é Joana e tenho 21 anos. 
Já há muito tempo que detenho em meu poder uma bola enorme, daquelas fofinhas que fazem cócegas, guardo-a na garganta uns milímetros antes da epiglote. Quando se move, fico tão aflita que começo, instantaneamente, a chorar. O problema é que quando tenho dessas crises, a bola impede-me de falar, então pedir ajuda torna-se demasiado complicado para uma rapariga como eu. De 21 anos, sem noção alguma de como se conserta essa coisa cá dentro. O mais difícil é mesmo respirar e conseguir tomar alguma decisão que não agrave mais a situação, normalmente não acontece.



Decidi há um par de dias atrás que não deixaria ninguém conhecer o meu eu vulnerável, percebi hoje que pelo menos eu vou ter de levar sempre com ele. Todos os dias.

Eu sempre acreditei na minha recuperação, que alguém iria eventualmente consertar os estragos feitos. Eventualmente, disse eu. Nunca consegui nada, nem vou conseguir, porque não sou nada de especial e sou só um bocadinho mais incapaz do que deveria. Daquele tipo de erro que sai mais caro do que o que posso pagar. Eu não tenho estofo para mim, se bem que por vezes fico entusiasmada quando convenço outros de que sim. 



Vai ficar tudo bem. Eu só não sei o que fazer comigo. Há dias que não choro, que não procuro músicas novas para ouvir, que não dou uma caminhada até ao Porto, que não me belisco nem abro bocados de carne. Há dias que não sinto, ou não sei o que devo sentir. Nunca perdi a esperança de arranjar a cura ou um xarope que consiga dissolver a bola. Sou capaz de me ter apercebido que não vale a pena. É tudo cíclico e não vai melhorar, porque eu esforço-me todos os dias para ser qualquer coisa e nunca melhoro. Eu deixei de sentir. Se calhar deixei de ter aquela coisa que é a última a morrer. Agora só falto eu por fora, que por dentro já começa a crescer erva daninha. 
Estou tão cansada...

 

publicado por tricot-do-oeste às 21:33
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

I choose to hide but I look for you all the time.
I choose to run but I'm begging for you to come.

Don't wanna hear, I wanna fight 'cause this time I won't be wrong.
And I can waste this precious time asking:  Where do I belong?

 

~ Choose Love

publicado por tricot-do-oeste às 01:05
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

 Quando apanho o metro até à cidade, é como se não houvesse vida para além de ti.

publicado por tricot-do-oeste às 00:50
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Domingo, 23 de Agosto de 2009

 

Laurie Lipton, Lady Death

 

 

Era vê-la a saltar e a sorrir e sentar-se e levantar-se e gargalhar e voltar ao princípio como se não conhecesse os sinais. A acomodar-se na paisagem, como se fizesse parte da natureza. Desta vez vai ser melhor porque é diferente de todas as outras vezes que caí sem estar de pé. Era vê-la a pensar e a morrer devagarinho como se não tivesse pressa para chegar ao fim. A torturar-se com ideias e planos que duram uma vida inteira, que ameaçam fazê-la feliz como se fizesse parte da natureza. Era vê-la a hesitar e a falhar e a sorrir quando não quer, era vê-la a fugir e apagar e a fazer de conta que faz sentido sempre que acaba. Quando acaba faz sentido, nunca deveria ter começado. Não há mais que vácuo dentro de mim, não faço parte da natureza. 

 

publicado por tricot-do-oeste às 21:45
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Hoje acordei cansada após 10 horas de sono induzido com drogas cujo o comportamento orgânico me ultrapassa. Acordei e vi o chão do quarto inundado, com peixes a moverem-se freneticamente entre a cadeira e a porta. Acordei sozinha com

piranhas a morderem-me os olhos. 

 

 

E pensei,

porque pensar não te magoa,

pensei que poderias passar por cá, trazer a tua boia daquela marca fixe apenas conhecida por quem pesca caranguejos-real no alto-mar e tiravas-me daqui

como se fosses um herói de banda desenhada.

Ou então que viesses só para ver como está o tempo no meu espaço alternativo à tua realidade, que me emprestasses galochas para ir até a ti. Porque se esvaziasses o quarto, os peixes morreriam.

 

 

Entretanto, nunca apareceste, a água estava fria, não havia toalhas e adormeci com a mente sobreposta a tua,

como se dormíssemos juntos só para mim.

E tu contavas o tempo pelos minutos e eu riscava números do calendário. Tu arrancas o mês passado da parede e eu perco-me em décadas de vácuo contínuo. Vou me lamentando e o mar sobe todos os dias.

 

Se passares cá por casa, vê se levas os teus peixes para que possa partir o meu aquário. E não me cortar com os vidros espalhados.

sinto-me:
publicado por tricot-do-oeste às 22:56
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